domingo, 1 de março de 2009

Reflexões quotidianas, Gelci Nogueira Psicóloga

Reflexões quotidianas
Gelci Nogueira
gelci074@gmail.com
Psicóloga. Sócia Nº 4675 na Associação Pró-Ordem do Psicólogos

2008Idioma: Português do Brasil
Palavras-chave: Mulher, homem, casal, família, atitudes, portugueses, brasileiros

Ontem (05/09/2008) ao fim da tarde fui à Loja do Cidadão, nas finanças. Fiquei a espera do atendimento por mais de uma hora. Fiquei a observar o comportamento dos cidadãos à espera de atendimento.
Uma família, em particular, chamou-me atenção: o casal com uma criança de 3 ou 4 anos e uma jovem, irmã da mãe da criança. O homem, na casa dos trinta, barriga bem saliente, olhar perdido, confuso, de atitude passiva-dependente. A mulher, na casa dos 25/28, baixa, tensa, de óculos, exalando raiva por todos os poros. A jovem, na casa dos 15/16, corpo apresentando sinais de sofrimento psíquico, curvado para a frente, numa postura imprópria para a idade. A criança, eléctrica, ao mesmo tempo manifestava um riso contido, provocações com tapas na cara do pai, mãe e tia.
Numa dada altura a criança vai para o chão, caminha por entre as pessoas, com o pai atrás, dizia a criança: 'quero fazer xixi'; o pai olha para a mãe; esta em tom de voz agressivo e mandão, expressa: até parece que sou eu que estou com a criança no colo, vai atrás dela; o pai da criança, baixa a cabeça numa postura de derrota e vai atrás, tenta pegá-la, mas esta reage chorando; a mãe ameaça com palavras depreciativas, à frente de todos. Logo o pai e tia sentam-se calados num canto e a mãe fica de pé com a criança no colo.
Que reflexões podem ser feitas dessa atitude materna em público? O comportamento atitudinal, emocional, inadequado da mulher portuguesa. Humilha o companheiro em público com palavras e gestos hostis. Que modelo de família tem os cidadãos jovens portugueses? A figura de uma mulher amarga, hostil, exigente, por um lado e, de outro passiva-permissiva. Em outras palavras: é uma figura materna ambivalente, num corpo de mulher, que ao tornar-se mãe, deixa de ser esposa afectiva com o companheiro, passando a manifestar um comportamento hostil, materno cultural, baseado nas crenças e repetição de atitudes inconscientes passadas.
E ai emerge o grande problema actual da mulher mediana portuguesa: a queixa, em público (reportagem recente nos meios de comunicação), de que as mulheres brasileiras vêm a Portugal tomar os seus maridos. Sou brasileira, entrei em Portugal mobilizada por um sentimento de busca, de informação e conhecimento ao nível de comportamentos maternos, dado que minha mãe e meu pai são descendentes de portugueses.
Pude sentir e ver de perto, no presente momento, as atitudes inadequadas do passado de minha mãe, nas mães portuguesas do presente. Mulheres com sentimentos e emoções, a nível afectivo-sexual, recalcados e projectados, em diferentes níveis e formas, no ambiente familiar, social e, na actualidade, nas mulheres brasileiras.
Diante da cena de ontem, pública e habitual, na vida quotidiana dos cidadãos portugueses, fiquei a rever, em meu banco de memórias passadas, se encontrava uma cena semelhante, em comportamento de casal em público, nos casais brasileiros, mas não consegui lembrar-me de nem um episódio similar. Lembro sim de ter estado em muitas filas de banco, de festas, mas nunca presenciei uma mãe brasileira humilhar um pai na frente dos filhos e demais pessoas estranhas, em público, numa situação normal, como a cena que presenciei ontem na Loja do cidadão. Ao contrário, recordo que os casais jovens brasileiros sentem orgulho de sair a rua com os filhos, e, geralmente a jovem mulher sente-se poderosa ao lado de seu companheiro; isto pude constatar em muitas festas, na Igreja aos domingos, nas compras de supermercado, etc.
Diante do contexto, qual a saída, compensatória mas imprópria, que o homem português, mediano, encontrou para, 'vingar-se secretamente', das atitudes impositivas e maternas de sua esposa, que ao assumir o papel materno esquece-se do papel de mulher-esposa amorosa?
Num corpo carregado de raiva, mobilizado instintivamente, por uma dor cega, em busca de prazer faz qualquer coisa para atrair uma mulher estrangeira, porque não são só as brasileiras que o homem português busca no estrangeiro. Aprendeu a canalizar a raiva para a função sexual, num comportamento compulsivo e de abandono; ou seja, a grande maioria dos homens portugueses que atraem mulheres e, principalmente as brasileiras, pela internet, convencem-nas a cruzar o Atlântico com mil promessas, geralmente, falsas, a começar pela identidade civil (mentem) e, logo no primeiro choque atitudinal cultural, abandonam-nas.
Este tem sido o grande fenómeno da actualidade. Inúmeras são as mulheres brasileiras que compartilham da mesma história. E por fim, algumas dizem: ter homem português pra quê, não funcionam; é só pra dizer que tem. De facto pude constatar que o homem português não aprendeu a manifestar afecto em palavras carinhosas, gestos e atitudes amorosas, que é o ambiente preparatório e facilitador para o acto amoroso, em si. Agem e reagem a nível sexual ainda muito primitivos, instintivos e mobilizados por sentimentos dúbios de carências e necessidades primárias, ligadas à primeira imagem feminina internalizada, ou seja: a figura da mãe que tiveram.
O contexto presente, tanto dos homens como das mulheres portuguesas, oportuniza uma tomada de consciência reflexiva e viabiliza, subtilmente, caminhos para uma profunda mudança no convívio marital. É penoso para as crianças conviverem e crescerem nesse ambiente, cujo modelo é o campo dos afectos que, na adolescência e posterior vida adulta, manifesta-se em diferentes comportamentos psicossociais inaptos; com a repetição do que vivenciaram no ambiente familiar e presencial do casal: o jogo competitivo de forças psicológicas, em palavras agressivas e humilhantes, em público.
Uma das maiores queixas dos jovens cidadãos portugueses é a de que os pais e, principalmente a mãe, nunca lhes dirigem um elogio espontâneo, uma palavra de carinho e estímulo criativo. Observa-se, no quotidiano das famílias portuguesas, a falta de discernimento de conteúdos psicológicos adultos perante os filhos; os pais discutem problemas adultos na frente das crianças, criticam-se, acusam-se com palavrões, falam das contas, e culpam outros pelos seus fracassos.
Jovens pais e mães, a força que nos mobiliza, internamente, em busca de um mundo melhor, são os elogios expressos em palavras benéficas, cheias de energias, como: vai em frente meu filho, confie em ti, acredite no teu sonho, és capaz!
Pais que apresentam um comportamento, como o que foi citado acima necessitam, urgentemente, de acompanhamento psicoterapêutico, numa abordagem sistémica. Apoio Psicológico familiar com um psicólogo(a).
A qualidade de vida tem origem na qualidade das palavras que expressamos aos outros e, em particular, a nós próprios e aos nossos membros familiares.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

IN "JORNAL DO CENTRO"

Primorosa das Beiras - Crónica de 20 de Fevereiro de 2009
Título: «a igreja: Sócrates é o maior»


«Caras e Caros, o Eng. José Sócrates vai estar em viseu no próximo dia 9, segunda-feira, às 21 horas no salão do Expocenter (Day After). Todos os militantes e simpatizantes do PS estão convidados a estar presentes e dar um apoio ao Secretário-Geral do PS. A sua presença é importante. José Sócrates precisa do seu apoio, Portugal precisa de José Sócrates e do PS. O presidente PS/Viseu». Começava assim o email com que o PS Viseu me convidou para ir à festa que estavam a organizar para a visita do José Sócrates à cidade.
Convite estranho! Não sou militante, nem nunca fui. Também não simpatizo com este PS e muito menos com o seu engenheiro.

Dizem uns que «há medo no PS», outros que se vive uma «obsessão da fidelidade ao líder» e outros ainda que o debate no partido é «uma missa, ainda por cima já esgotada». Quem diz isto? Gente de dentro, camaradas! Dos deles! Não parece bem, não. Se fosse gente de fora, os outros, que já se sabe como é - uma cambada, uns mal dizentes, sempre prontos a «lançar a suspeição»; umas «sujeitas e uns sujeitos» sem ideias e sem projectos, uns «demagogos populistas»; gentes da «campanha negra»; umas «laranjas podres» - ainda vá que não vá, agora dos deles! É intrigante!

Só tinha uma solução ir ver, com estes que a terra há-de comer. E assim, acabei, a reboque do convite, por ir até ao Expocenter!

E pergunta o leitor: e então? Então nada! Para lhe ser franco tive medo e vim-me embora a correr! Aquilo, para lhe dizer a verdade, parecia (senão é mesmo) uma «missa» da «igreja - Sócrates é o maior». E eu, além de não simpatizar com o engenheiro, sou um descrente.

Não acredito nas «justificações» do eng. José Sócrates acerca dos bons e belos projectos de engenharia que assinou e que os donos das obras garantiam não serem dele; Não acredito nas suas «explicações» relativas à sua licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente; Não acredito que no caso Freeport tudo esteja bem e que o processo tenha sido transparente e seja «em termos quid juris irrepreensível»; Não acredito que tudo isto seja uma invenção dos média; não acredito que esteja inocente no caso Freeport (mas, acreditem-me, que se se provar que é inocente lhe pedirei publicas desculpas por não o ter acreditado). Acho inacreditável a sua arrogância e o desprezo que vota ao debate das ideias; ao dito e ao não dito que cultiva com uma esperteza saloia, como se todos fossemos parvos e imbecis (olhem o caso do estudo da OCDE sobre a educação).

E por fim não acredito, naquilo que escreve o «bispo» José Junqueiro «a mensagem e actuação do PS e do Primeiro Ministro são a nossa única garantia para vencer, para reganharmos a esperança, para qualificarmos o nosso futuro, para estabilizar a economia, para criar novas oportunidades de trabalho, para dar às pessoas aquilo a que legitimamente aspiram: uma vida tranquila e governos estáveis.» Não acredito que o engenheiro José Sócrates seja a pessoa indicada para nos fazer «voltar a pensar num futuro de esperança que todos exigimos e a que todos temos direito.» Tudo isto é uma questão de fé. Agora que a minha fé é nenhuma, isso é verdade.


FERNANDO FIGUEIREDO

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

in EXPRESSO

(POR CLARA FERREIRA ALVES)

Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente facea um público acrítico, burro e embrutecido. Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 deAbril distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos. Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia(que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades. Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos. A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca. Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo"normal" e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada. Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado. Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade. Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de JoãoCravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?Vale e Azevedo pagou por todos?Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência deLeonor Beleza com o vírus da sida?Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático? Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana? Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal? Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma. No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível,alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou acondenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância. E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas ascrianças desaparecida antes delas, quem as procurou? E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu? Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê? E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha paraa sua filha. E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, ésurda, muda, coxa e marreca. Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade. Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra. Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças ,de protecções e lavagens , de corporações e famílias , de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade. Este é o maior fracasso da democracia portuguesa.
Clara Ferreira Alves - "Expresso"--

in Jornal de Notícias 11 de Fevereiro de 2009

MÁRIO CRESPO


Está bem... façamos de conta
00h30m Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo. Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média.Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda).Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS.Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos.Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas.Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.